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Saúde

Doação de Órgãos: vidas correndo contra o tempo

Campanhas são realizadas para conscientização da população sobre o ato pelo outro

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26/09/2019 18:10 Eduardo Maciel
Jornalismo Satc, Notícias de Criciúma e Região

Uma história que vem sendo escrita no livro da vida e de superações há 15 anos. A protagonista é Liliane Rosso, a Lili, de 31 anos, moradora de Treviso. Com astral elevado, ama estar com a família, amigos e é muito grata a Deus. Lili tem fibrose cística no pulmão e aguarda há quase dois anos na lista de espera para o transplante de órgãos. É uma corrida contra o tempo.

“Cada dia viva é uma vitória. É angustiante. Infelizmente muitas pessoas morrem nessa longa espera. Já perdi muitos colegas aqui, mas tento transformar essa dor em força e coragem, por mim, por eles que se foram e por muitas pessoas que passam por isso também”.

A rotina é repleta de idas e vindas ao hospital, o que faz com que ela enxergue o mundo e a situação de forma diferente. “Tento levar da forma mais leve possível. No hospital é um momento de encontro com os colegas que estão na fila e os que já transplantaram, uma troca de experiências, e quase sempre regado com muito bom humor”, completa.

Segundo a moradora de Treviso, a fé faz com ela acredite e confie em um amanhã melhor, tendo sempre consigo a esperança.  “É vida, é esperança, é uma nova chance de viver. Pensar no outro, em um momento que esteja sentindo a dor mais profunda, é algo que não tem explicação. A doação de órgãos é um ato grandioso demais, é amor, só amor! E sem dúvida, tenho certeza que Deus está preparando algo bem especial para mim”.

Antes mesmo de descobrir que necessitaria ser transplantada, ela já havia conversado com a família sobre a vontade de ser uma doadora de órgãos. “Se eu tenho o poder de salvar outras vidas na hora da minha morte, por que eu não faria!? É um pedaço de mim que vai continuar vivendo. Tantas crianças, jovens e adultos que precisam, enfim, são famílias inteiras que são salvas, porque sofrem junto nessa espera”, destaca.

E para os que ainda têm dúvida sobre a importância da doação de órgãos, Lili deixa um recado: “Hoje estou precisando de um transplante, muitas pessoas já precisaram e outras ainda irão precisar. Então pensem nisso, conversem sobre isso, e se for da sua vontade ser doador de órgãos, avise a sua família!”.

Os números e a esperança

No Brasil, 16.275 pessoas aguardam, segundo o Registro Brasileiro de Transplante de Órgãos, por um transplante. A maior procura pelo país é por córnea seguida pelos rins, fígado, coração e por último o pulmão.

Dados referentes a Santa Catarina:

 

O Hospital São José de Criciúma é um dos que faz a captação de órgãos na região. A instituição precisou se adequar para que a Comissão Hospitalar de Transplante (CHT), pudesse fazer a abordagem e a captação. Até o momento a comissão conta com um médico responsável, Felipe Dal Pizzol, e mais cinco enfermeiras, conforme solicita a lei.  A partir do momento em que a CHT foi composta, ela está credenciada na Central Estadual para que o hospital receba a capacitação necessária.

“Existe uma central nacional e uma comissão estadual de transplante que regula todos e comanda todas as CHTs nos hospitais do Estado. A medida que existe uma suspeita de morte encefálica, a CHT de cada hospital é notificada, e acompanha o processo com as medidas que devem ser feitas para que se tenha a maior segurança no diagnóstico e assim fazer a acolhida da família para essa situação, esclarecendo os familiares sobre o processo de captação de órgãos”, explica Dal Pizzol.

Para a doação de órgãos se efetivar, a pessoa precisa ser diagnosticada com morte encefálica, quando há a parada de todas as funções do cérebro. A partir do momento em que há a comunicação aos familiares, a equipe da CHT faz a intervenção explicando o processo à família.

“Por lei, os familiares de primeiro grau devem decidir sobre isso. A doação depende necessariamente da autorização familiar. Por mais que o paciente tenha em vida expressado sua vontade, ela precisa ser revalidada. Somente depois que autorizam é que inicia todo o processo de doação”, acrescenta o médico.

Hoje, o especialista percebe que há mais naturalidade em falar sobre o assunto. “A conscientização das pessoas sobre a importância da doação, as conversas em família dos desejos quanto em vida de ser um doador são importantes. A CHT é muito mais um canal de esclarecimento naquela hora dolorosa, porque as coisas ficam confusas. Muitos não sabem como lidar para que se possa fazer o processo, é uma oportunidade de dizer o quanto é importante, os benefícios que a doação pode trazer para aqueles que estão esperando”, ressalta.

 Uma campanha liderada por angústia

A mãe de Liliane, Marlene Tasca Rosso, resolveu liderar uma campanha de conscientização para estimular a doação de órgãos no sul do Estado. “Doe Órgãos – Avise sua família – Deixe a Vida prosseguir – #1salva8”, que iniciou em maio deste ano e deve permanecer até o final de 2019.

“Muitas pessoas só ouvem falar, não sabem ao certo como funciona, e nós viemos com essa campanha para explicar e mostrar o quão importante é. Que as famílias possam dizer o sim, só depende delas”, esclarece Marlene.

Ações semelhantes são realizadas principalmente em hospitais que hospedam as pessoas que necessitam de transplante, como Porto Alegre e São Paulo. Segundo Marlene, empresários, lojas e muitas pessoas estão abraçando a causa. “A nossa campanha é realizada com camisetas, e futuramente teremos folders explicativos espalhados pela região. Nós não queremos que as pessoas apenas comprem a camiseta, mas sim que tenham o entendimento do assunto e possam repassar as informações conscientizando muitas outras”.

A mãe de Liliane se emociona em falar da angústia que a família sente a cada dia que passa. “Muitas vezes choramos pensando na situação, nos questionamos o porquê disso que está acontecendo, procuramos respostas e não encontramos. Mas, nós temos muita fé que iremos vencer mais essa e é nesse momento que encontraremos a resposta que esperávamos”.

Em muitos momentos palavras de conforto de amigos, conhecidos e até mesmo pequenos gestos fazem a diferença. “Um dia comentei com uma amiga sobre a situação, e ela me disse assim, ‘que a pessoa que vai doar para a Lili está vivendo mais um pouquinho’. São palavras simples que nos fazem refletir e nos acalmar”, comenta emocionada.

Batidas num ritmo acelerado

Um novo coração bate no peito de Martinho Marcos Neto. O criciumense precisou passar por quatro cirurgias de troca de válvula no coração. Em 2002 foi submetido a um transplante.

“Levamos um choque, porque não sabíamos o que era um transplante. O meu médico dizia que eu poderia ficar um ano, dois, três, depende do coração que vier. Chegamos em São Paulo fui direto com a equipe que eu já tinha feito as cirurgias, só que não quiseram fazer, porque ia ser a quinta. Então me mandaram para o Instituto Dante Pazzanese, em São Paulo mesmo, que estava em primeiro em transplante no Brasil, e foi lá que fiz, com 58 anos”, conta Martinho.

Foram oito meses de espera até ser transplantado. Sua rotina mudou, precisou adaptar funções do seu dia a dia por conta do problema de coração. Na época era difícil receber uma doação pela falta de conhecimento que existia. “Eu estava morrendo! Não dormia mais, ficava mais sentado, se deitava poderia morrer sufocado, precisava o quanto antes fazer”, lembra.

A família foi fundamental no momento em que ele mais precisava. Largou tudo e foi em busca de uma nova vida. “Tenho três filhos, dois estavam estudando. Deixei tudo e fui para São Paulo, fique lá um ano e seis meses, sem ver os filhos e ninguém. Fui em busca de uma salvação, quero morrer ou viver, mas quero ter uma vida melhor, como já tinha feito quatro cirurgias, vou arriscar essa também”, relembra Martinho.

Agora, o momento é outro. Sorridente, o homem de 62 anos não sente mais canseira e falta de ar, faz todas as coisas normalmente. Ele é voluntário da Cruz Vermelha, da Pastoral da Criança e participa de ações que é convidado, inclusive quando se fala em ajudar o próximo.

“Peguei um coração na hora certa! A minha doutora falou que o único transplantado que está dando mais certo sou eu, nunca deu uma rejeição, infecção. Mas é tudo direitinho, remédio na hora certa o que é para comer eu como, para não ocorrer a rejeição. Não vou arriscar minha vida por conta de uma alimentação ou algum cuidado”, ressalta.

Martinho recebeu o novo órgão de uma jovem de 19 anos e com quatro meses transplantado teve o privilégio de conhecer a família. Ele viajou de metrô até a cidade de Suzano, na grande São Paulo, para encontra-los. “Foi ótimo. É como se fosse um irmão, uma parte tua, que está resgatando lá de trás. Ver as fotos dela, os vídeos, saber que tenho um pedaço dela dentro de mim, é sem explicação. A qualquer momento, em qualquer lugar eu estou pensando nela, não só eu, mas meus filhos, minha família, por isso estou sempre em contato com os familiares”, confessa.  Dois sentimentos que o senhor de cabelos grisalhos traz consigo são a gratidão e o amor.

“Amor demais para dar às pessoas. Quero sempre fazer mais pelo próximo, porque se estou aqui hoje é graças a pessoas que me ajudaram, é muita gente envolvida. Todo dia dou graças a Deus”.

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