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Profissão professor: tornando meus alunos melhores do que eu

Nós, professores, somos cientistas testando conceitos, fórmulas, experimentando possibilidades, métodos, moldando o futuro com aquilo que mais importa, nossos alunos.

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23/09/2019 17:31 Diego Piovesan Medeiros, Dr.
Blog, Educação

Já lecionei para ensino técnico, ensino superior e especialização além de ministrar palestras e facilitar workshops. Compartilhar conhecimento é o que mais amo e aproveito para apresentar minhas percepções dentro deste universo que estou inserido.
Publicarei alguns artigos sobre essa temática por aqui e nesse primeiro texto trato do que acredito e luto: despertar no aluno o potencial que ele muitas vezes não vê e com isso, fazê-lo um profissional melhor do que eu.

Isso pode parecer algo meio Star Wars, com um pouco de Jornada do Herói, mas é isso mesmo e tá tudo certo! Uma jornada em que me coloco como o mestre, o mediador do conhecimento para que o acadêmico possa se descobrir como profissional.
Com isso, listo a seguir, cinco pontos que trabalho em sala de aula e que auxiliam de algum modo nesse crescimento.

1. Humildade em entender que não somos melhores do que ninguém

Sim, é mesmo pra parecer uma contradição ao título inicial. Mas o que quero tratar é sobre amadurecimento, não competição. Aqui me abro ao estado de vulnerabilidade.
Ser professor é ser vulnerável.
Percebo que dentro deste universo, meus títulos não me fazem melhor do que meus alunos. Como doutor em Design, percebo a necessidade de amplificar esse conhecimento mostrando caminhos, compartilhando e aprendendo com o universo deles. Aprendi a moldar meus atos de forma muito mais colaborativa do que competitiva, mesmo que o mercado ainda dite o contrário.

Gosto muito de dizer a seguinte frase nas minhas aulas iniciais: “Duvidem de tudo, até de mim”.

É preciso entender os pontos de vista. Cada opinião retrata um contexto. Precisamos cuidar com as cegueiras da certeza absoluta. Professor, no meu entender, não pode ter preconceitos (por mais difícil que isso seja), deve entender e debater sobre as múltiplas culturas, opiniões e toda diversidade a nossa volta. Isso não significa não ter opinião, muito pelo contrário. Em uma sala de aula, temos com esses alunos, histórias de vidas, culturas e realidades distintas. Entender esse background é o primeiro passo para uma abertura do conhecimento.

Para mim, crescer é compartilhar e aprender. Percebi que nesse caminhar, a autoridade que conquistei em sala de aula se dá pelo respeito e pelo olho no olho. Falo e continuarei falando a mesma língua do meu aluno.

Em sala, formamos seres humanos capazes de vencer seus medos, ampliar seus horizontes e crescer em seus sonhos.

E nós, enquanto professores, somos agentes de muitas transformações e inspirações. Preciso sempre me dar conta de que muitos alunos estão se espelhando em mim. A forma como agimos e lidamos com situações conduzirão muito da postura profissional do aluno, por isso, humildade, sempre.

2. Ensinar os alunos a pesquisar, aprender e a desaprender

Tudo que sabemos estará obsoleto amanhã. Desculpa aí!
Se estamos preparando profissionais para o futuro, nossos exemplos não podem se reter apenas ao passado. Me faço uma pergunta constantemente: “Eu gostaria de estar assistindo/ participando da minha própria aula, enquanto aluno?”

Como professor nas áreas de Design e Publicidade, preciso constantemente fazer uma reflexão de passado, presente e futuro, estudar novas tecnologias, testá-las e traduzí-las. Isso só é possível por meio da pesquisa constante.

E isso é percebido por eles, quando em sala de aula conhecem muitas coisas que nunca ouviram falar. Parece estranho, não é mesmo? Mas dentro de um cenário onde a informação gira na palma da mão, muito já chegam em sala sabendo. Nosso dever é construir uma ponte entre essa informação e um conhecimento ativo e aplicável.

Enquanto professor, tenho consciência de que sou um eterno aluno, um eterno pesquisador, curioso e entusiasta de minha profissão. Estar no meio, testar, errar, aprender e desaprender, vivenciar experiências na área, são materiais necessários para que eu possa moldar aulas mais coerentes com uma realidade presente e que virá.

Me lembro sempre que o aluno que estou preparando, muitas vezes, será lançado no mercado daqui dois, três anos. Como preparar alguém para um ambiente que ainda não existe? Esse é o nosso desafio.

Com isso, defendo a bandeira de que a prática leva ao aprendizado. A prática reforçará a teoria e colocará o acadêmico na ação. Enquanto professor, acredito que devo sempre mostrar o valor do que está sendo estudado no contexto profissional, passando a minha paixão pela profissão para ele (pois também sou publicitário e designer), colocando-o a frente de situações que os confrontem e desafiem. Mesmo lecionando uma disciplina teórica, como semiótica, por exemplo, tenho a missão de tornar aquele conhecimento útil e eficiente para seu dia a dia. Esse é um caminho que acredito para que ele aprenda a ser mais resiliente e molde o futuro da profissão que escolheu, de forma ética e segura.

E nesse cenário, apresentar ao aluno que ele também irá e deve aprender muito fora da sala de aula. É no ambiente de trabalho, no dia-a-dia, nas aplicações projetivas, que ele aprenderá muito e isso é pra vida toda!

3. Sobre ter paciência e planejamento

Cada vez mais, a sociedade está com pressa, querendo ter sucesso aos vinte e poucos anos, vivendo uma ansiedade desnecessária e corrosiva. Quando vejo um acadêmico chateado por não ter sido promovido em menos de um ano ou por não conseguir se formar com sua turma, comento que cada pessoa tem seu tempo. Devemos ter calma.
O problema é que desde pequenos somos comparados, seja com o vizinho, seja com a celebridade instantânea. A única pessoa que você deve se comparar, é a você mesmo.

Cada um de nós tem uma história, uma individualidade e com isso, um tempo de amadurecimento, crescimento e de aprendizado. Não é apenas uma faculdade que irá o tornar profissional, mas a soma do seu aprendizado, do quanto souber aproveitar esses anos, do networking, das experiências fora da faculdade, no mercado de trabalho e do quanto se está disposto a não parar.

Me planejei pra chegar onde cheguei. Precisei fazer escolhas. Hoje colho frutos conquistados dos objetivos que me desafiei há mais de doze anos atrás.

Planejar e saber a hora das coisas talvez seja uma das lições que mais aprendi nesses últimos anos e replico sempre aos meus acadêmicos. Não gosto do termo “formar”, pois não estamos colocando os acadêmicos em formas. Cada um é diferente. Gosto muito de tratar o processo de ensino-aprendizagem como uma transformação, ou uma capacitação, pois assim, esse aluno se torna capaz, com voz, com ação para fazer a diferença.

4. Precisamos produzir conhecimento, não apenas replicá-lo

Como aluno de pós-graduação, aprendi ainda no mestrado, que o professor/ pesquisador não pode apenas replicar, mas sim, deve experimentar e construir seu próprio conhecimento. Quando comecei a fazer isso, a mágica aconteceu. O mais legal disso tudo é repassar essa experiência ao acadêmico.

Em uma aula de planejamento publicitário, após mostrar alguns caminhos para se construir um planejamento, os convidei para construir um Canvas de planejamento de comunicação. Após cada grupo definir seu modelo, fiz alguns refinamentos e levei na aula seguinte para que os mesmos fossem testados. A surpresa da sala, e o grande trunfo do aprendizado, foi poder usar um material construído por eles mesmos, em atividades futuras naquela disciplina. Isso é construir conhecimento aplicado.

Podemos, enquanto professores, produzir novos meios, recursos, teses, discussões, dentro da sala de aula. Podemos ser instigadores do novo, mentores de inovação, entendendo que a sala de aula é um grande laboratório de vivências, sejam elas práticas ou teóricas.
Foi dentro da sala de aula, que me motivei a criar um site onde publico ferramentas e artigos científicos, usados dentro da própria sala de aula e também no mercado de trabalho, o Metoludi.com.

5. O propósito precisa estar claro

Para despertar o interesse nos alunos, precisamos ser verdadeiros.
O que nos motiva em ser professores? O que nos faz brilhar os olhos? O que nos faz chegar em casa depois das 22h30 ofegantes querendo contar pra alguém o resultado de uma aula? Estamos falando muito mais de causa, de propósito, de algo que não conseguimos explicar, mas que nos move a cada dia.

Amor pelo que se faz.

Dinheiro, reconhecimento, serão consequências. O amor pela profissão é o combustível para se doar e estar em pé, mesmo sem voz, ou com crises de rinite (meu caso).

Também, precisamos deixar claro para os alunos, o porque eles estão lá. Coordenando o curso de Design Gráfico durante cinco anos e meio, conversava constantemente com meus colegas professores para que mostrassem onde as peças do quebra-cabeças se encaixavam. Minha aula de Práticas de Design, trabalha em conjunto com as disciplinas de Teoria da Forma e Cor, Ergonomia e Semiótica, e assim por diante.

Tudo precisa ter um propósito para estar lá. Um exemplo. Convivo com colegas que criticam e que apoiam o uso das tecnologias sociais em sala de aula. Respeito cada opinião e reforço sempre o olhar no contexto. Minha disciplina se potencializará com o uso do Whattsapp? Posso usar o Formulário do Google para montar uma pesquisa com os alunos? Posso fazer uma aula diferente fora da sala de aula? Quando o propósito da atividade está claro, a resposta e a conexão na cabeça do acadêmico também estará. Isso nos leva para o item 8.
Quando o acadêmico percebe que está ali para uma transformação e não pela nota, até o fato como lida com o erro e com feedbacks não tão positivos muda.

O momento de errar é em sala. Sabemos que inúmeras empresas não investem em pesquisa pelo seu alto custo, falta de tempo, ou pelo medo de ousar e investir em possibilidades incertas. A sala de aula nos permite tudo isso e instigo meus alunos a não terem medo de testar, experimentar e ir além do que pedimos nas atividades.

Meus olhos brilham quando algum acadêmico entrega mais do que foi solicitado. Sei que não foi fácil, pois como leciono em cursos noturnos, a grande maioria trabalhou oito horas antes de ir para aula.

Estudar não pode ser um fardo, uma chatice, mas sim, um despertar para novas ideias, novos mundos e novas possibilidades.

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Nós, professores, somos cientistas testando conceitos, fórmulas, experimentando possibilidades, métodos, moldando o futuro com aquilo que mais importa, nossos alunos.
Vejo que hoje eu ensino mais do que um conteúdo técnico em Design ou em Publicidade, pois estou ensinando eles a serem um pouco melhores nesse mundo. Ensinando a serem mais humildes e com isso, a ter mais empatia. Ensinando a serem curiosos, questionadores e planejadores. Ensinando que eles podem e devem se expressar, com propósitos claros de ser e agir.

Profissão professor: tornando meus alunos melhores do que eu

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