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Prevenção

Depoimentos: Profissionais da saúde abrem o coração em tempos de Covid-19

Atuando na linha de frente no combate à pandemia do coronavírus, profissionais da área da saúde contam o que vivem e sentem

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31/03/2020 10:09 Marli Vitali
Destaques Crici. Reg., Jornalismo Satc, Notícias de Criciúma e Região

Um verdadeiro exército de homens e mulheres tem se mobilizado para atender aos pacientes com sintomas do coronavírus (Covid-19). O principal hospital filantrópico do Sul de Santa Catarina, o São José, em Criciúma, que faz todo atendimento de ponta do SUS, agora também atende casos da pandemia.

Quatro profissionais da frente de trabalho pararam um pouco em seu momento de folga para relatar o que vivem e sentem neste momento. A Reportagem do Jornalismo Satc optou por não trazer os nomes, mas as histórias que refletem uma situação ímpar vivenciado pela sociedade. De todos os entrevistados, um único recado: FIQUEM EM CASA!

 

“Se tiver a oportunidade de conversar com Deus na próxima encarnação, com certeza pediria pra nascer novamente na Enfermagem”.

“Quando escolhi a enfermagem já sabia o que queria ser e não me imaginaria trabalhando com outra coisa. A área da saúde sempre me encantou. É cada experiência incrível em cada dia de trabalho. Amo cuidar dos meus pacientes, amo ver o sorriso deles a cada melhora, sofro ao perder algum. Mas como a gente sabe que não é fácil, sempre coloco um sorriso nos lábios e ergo a cabeça. Profissão de muito estudo e de muita dedicação, responsabilidade e amor ao próximo. Se eu tiver a oportunidade de conversar com Deus na próxima encarnação, com certeza pediria pra nascer novamente na Enfermagem. Minha vida é essa. Eu escolhi. E vou seguir nesse caminho não importa o que houver.

Estamos passando por um grande desafio. Isso gera apreensão, medo, angústia. Aqui a gente está preparado, treinado e sabemos que essa é a nossa missão. É um trabalho constante, árduo e de toda equipe. Do segurança, ao recepcionista, do auxiliar da higienização, à enfermagem e os médicos. O trabalho de todo mundo é importante.

É um vírus que pega facilmente! Mas os doentes precisam da gente, da nossa calma e da nossa serenidade. Temos compromisso com a vida! Precisamos nos cuidar para cuidar das pessoas. E temos os nossos familiares. Neste momento a gente pensa muito antes de sair de casa para trabalhar.

Com essa pandemia de COVID-19 temos medo de chegar ao ponto de escolher quem vai ou não para a UTI por falta de vagas. Então todo cuidado é essencial nesse momento. Eu, da área da saúde, e todos os outros profissionais da saúde, estamos dispostos a enfrentar essa situação que nunca vivenciamos. Até porque nós, profissionais, sabemos que estamos na linha de frente dessa batalha. Muitos casos de infectados pelo COVID-19 são assintomáticos, não sabem que possuem o vírus, com isso a alta probabilidade de transmitirem para outras pessoas é enorme. Por isso o isolamento é essencial, além dos cuidados com higiene adequada das mãos com água, sabão e álcool 70%.

Nosso apelo é que fiquem em casa. Não saiam nas ruas, não fiquem aglomerados, não façam festinhas. É tempo de cuidado e não de festa, preservem a vida de vocês e dos seus familiares.

Eu moro sozinha, nesse momento não recebo visitas e nem as faço. Saudade dos familiares, isso me dói. E dói a todos, mas se faz necessário. Tenho colegas de trabalho que tem pais, mães, filhos, esposos em casa, os quais tem que ter contato e isso gera muito medo. Mas todo cuidado é necessário. Aqui deixo meu pedido: NÃO É UMA SIMPLES GRIPE! Isso é sério e grave. Fiquem em casa o máximo que puderem, evitem contaminar e serem contaminados. Mesmo não tendo familiares na minha casa tenho os mesmos medos que todos, pois tenho que sair todos dias para trabalhar na saúde, correndo riscos para ajudar vocês. Então, façam o que for preciso e nos ajudem. Nos cansamos, nos estressamos, nossas jornadas de trabalham mudam, nossas máscaras muitas vezes machucam, nos ferem, usamos sempre os EPIs, passamos calor e, além de tudo isso, deixamos nossas famílias em casa para cuidar de muitas outras desconhecidas. Nos ajudem. Estaremos sempre a postos e tudo isso vai passar. Mas para isso todos precisamos nos ajudar.”

 

“Já sofremos preconceitos em relação a isso (ser enfermeiro). Pessoas, em locais públicos, quando nos veem de branco mudam de lado na rua […]”

“Estamos trabalhando na linha de frente com esse novo vírus que surgiu. Estamos recebendo total auxílio do hospital São José em relação aos cuidados com a prevenção ao contato com o vírus, e tomamos vários cuidados pois sabemos que ele é fácil de ser transmitido.

Em relação ao deixar a família está sendo bastante difícil. Mãe, pai, irmãos, tios e tias temos que tomar total cuidado para não transmitir para eles. Às vezes estamos dividindo aluguel com outros jovens para não irmos pra casa, estamos deixando nossa família para ficamos na linha de frente. Já sofremos preconceitos em relação a isso. Pessoas, em locais públicos, quando nos veem de branco mudam de lado na rua, entre o elevadores e as escadas escolhem o qual não vai ter contato. Sabemos que estão tentando se proteger, mas eles também têm que ter consciência que somos seres humanos e, assim como eles, saímos da nossa casa, deixamos nossas famílias para cuidar deles, da família deles.

Estar na linha de frente está sendo algo novo, uma experiência nova. O medo vem, mas sabemos que só nós, naquele momento, poderemos ajudar aquele pai, mãe, filho de alguém.”

 

“Todos temos medo por nossos familiares e amigos. Não vamos largar de mão ninguém, mas não queremos que chegue ao caos, que vire uma calamidade pública. Não somos Deus para decidir quem vive e quem morre…”

“Entrei na Enfermagem por conta da minha mãe. Eu não gostava no começo, não gostava da ideia de cuidar de pessoas, nunca tinha imaginado fazer parte dessa profissão. Entrei no curso à força. Ao longo de um ano fazendo estágio de manhã e aulas à tarde fui percebendo que era o que eu queria. Não sei por que, mas se encaixou muito bem com a minha personalidade.

Hoje em dia sei que não está sendo fácil para muitos usar a máscara por conta da falta de ar, mas temos que entender que é preciso. Se não prevenir, a nossa situação vai ficar pior que na Itália por ser um país do tamanho de um continente.

Nossos cuidados estão sendo bem cobrados, pois não podemos vacilar com esse vírus porque se algum funcionário se contaminar poderá passar para muitos outros sem saber já que é silencioso. Por isso é muito importante se prevenir. Muitos acham que é só uma gripe, mas estamos lutando contra uma pandemia. Esse vírus mata e mata muita gente, não é só os idosos. Infelizmente eles são os mais afetados por já estarem mais frágeis.

Estamos na linha de frente, mas não é por isso que estamos deixando de ir trabalhar. Fiquem em casa isso já vai ajudar muito. Não apenas nós, da saúde, mas todos os funcionários dos hospitais, supermercados, policiais e todos que não podem parar. Todos temos medo por nossos familiares e amigos. Não vamos largar de mão ninguém, mas não queremos que chegue ao caos, que vire uma calamidade pública. Não somos Deus para decidir quem vive e quem morre…

Estamos trabalhando para combater o COVID-19. Temos profissionais treinados e prontos para caso aconteça algo maior do que o previsto. Estamos prontos para acabar com esse vírus que está assustando a população.

FIQUE EM CASA, NÃO FAÇAM AGLOMERAÇÕES E NOS AJUDEM A COMBATER A PROLIFERAÇÃO DO COVID-19.”

 

“Me pergunto todos os dias: ‘quem está do meu lado pra segurar na minha mão e não deixar que desanime nesse momento que tanto preciso?’ Colegas de trabalho choram ao chegar no plantão e apenas nós mesmos podemos nos ajudar com palavras de carinho e de gratidão.”

“Sou técnica de enfermagem, mas antes disso sou mãe, esposa, filha e neta. Esses últimos dias vieram pra mostrar o quanto somos fortes, guerreiros e, principalmente, mostra o amor que temos pela nossa profissão.

São dias cansativos física e mentalmente, rotinas sendo realizadas criteriosamente para a não propagação do vírus e para evitar transmitir aos nossos amores.

Fim de plantão e começa a rotina, vestiário, lavagem de mãos, retirada de EPIs, roupa da batalha retirada, roupa extra colocada, nova lavagem se mãos, álcool em gel abundante, oração entre hospital e casa, chegando em casa, calçados na rua, retirada da roupa extra na garagem, entrando dentro de casa com todo o cuidados para que ninguém te toque, direto para o banho com todos aqueles sabonetes que você imagina que possam matar o vírus, enfim você senta no sofá e pensa ‘será que fiz tudo certo?’ A insegurança sempre nos persegue.

Triste dormir em quarto separado, evitar abraços e beijos de filhos que sempre te recebiam com todo esse carinho, ficar longe da sua mãe, da sua avó. Me pergunto todos os dias: ‘quem está do meu lado pra segurar na minha mão e não deixar que desanime nesse momento que tanto preciso?’ Colegas de trabalho choram ao chegar no plantão e apenas nós mesmos podemos nos ajudar com palavras de carinho e de gratidão. Luto todos os dias contra meus medos e enfrento o dia a dia com todas as minhas forças, todo cuidado é pouco. Mas a minha escolha é essa sou TÉCNICA DE ENFERMAGEM e vou lutar por você! Vou estar ao seu lado nos piores momentos, vou segurar sua mão no seu último suspiro. Mas, o que quero, é te aplaudir na sua alta. E o que eu peço em troca a isso é: FICA EM CASA POR MIM E PELOS MEUS!”

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